BNDES e LSI-TEC apresentam piloto de Internet das Coisas para Saúde

  • Sistema de monitoramento remoto digital com inteligência artificial poderá vir a mudar o paradigma do SUS para pacientes com câncer infantil, reduzindo a mortalidade por meio do monitoramento preventivo 
  • Solução para diagnóstico de apneia obstrutiva do sono de baixo custo permitirá exames em alto volume a pacientes do SUS  

São Paulo, 31 de maio de 2022 – o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concedeu apoio não reembolsável de R$ 1 milhão para o Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC), instituição de ciência e tecnologia (ICT) dedicada ao desenvolvimento e inovação em tecnologias avançadas conduzir experimentos de soluções de Internet das Coisas (IoT) aplicadas à saúde. O projeto envolve a realização de testes de dois sistemas baseados em IoT, um voltado ao monitoramento remoto de crianças com câncer e outro para o diagnóstico domiciliar de apneia obstrutiva do sono.

O primeiro experimento se dará por meio de um sensor vestível que medirá periodicamente a temperatura de 76 pacientes do Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (ITACI), que é o Serviço de Onco-Hematologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr–HC-FMUSP). Os sensores transmitirão a informação de temperatura corporal dos pacientes por rede sem fio para um servidor hospedado na nuvem e, em caso de febre, o sistema envia um alerta ao médico responsável, pais e cuidadores possibilitando o encaminhamento imediato dos pacientes ao seu serviço médico. Infecções são a principal causa de mortalidade dos pacientes de câncer Infantil.  Além de testar a aplicação de uma nova tecnologia, o objetivo desse piloto é medir o tempo entre o início dos sintomas e a evolução do quadro infeccioso, avaliando os efeitos que a rapidez da utilização de antibiótico tem sobre o quadro do paciente. 

Para tanto, o grupo será acompanhado ao longo de dez meses – período durante o qual serão avaliados o índice de resolubilidade e as durações de internações, tanto dos casos resolvidos como dos não solucionados. As métricas serão comparadas com os dados históricos de pacientes submetidos ao acompanhamento tradicional. Assim será possível avaliar a eficácia da solução do ponto de vista dos resultados clínicos e os benefícios econômicos, já que períodos menores de internação implicam em menos custos para o sistema de saúde. Caso a aplicação se mostre eficaz há a expectativa de que ela possa ser replicada para o monitoramento de pacientes imunodeprimidos e com outros tipos de doenças crônicas.

A solução aplicada ao diagnóstico da síndrome da apneia obstrutiva do sono envolve aplicação de soluções baseadas em  IoT para realizar o exame do paciente em seu domicílio. O projeto será realizado em parceria com o Instituto do Sono, referência mundial em diagnósticos e pesquisas de distúrbios de sono, fundada por médicos da Escola Paulista de Medicina/UNIFESP. Atualmente, é necessária a realização da polissonografia completa de noite inteira em laboratório ou hospital sob supervisão, sendo que em pacientes cuja suspeita clínica é alta, registros simplificados domiciliares podem ser uma alternativa, com diversos cabos com eletrodos ligados ao corpo. No sistema a ser testado, uma série de sensores acoplados ao paciente captarão dados como esforço na respiração, fluxo nasal, batimento cardíaco e saturação de O2. Com isso, será possível mapear, por exemplo, roncos, esforço na respiração, paradas respiratórias e taquicardia. A transmissão remota dos dados do Exame baseados em IoT permitirá diagnósticos à distância, descentralizados no território nacional.  Hoje, o exame de polissonografias é oferecimento principalmente nos grandes centros urbanos do Centro-Sul do país. No sono, a dificuldade do acesso e os custos do exame dificultam a disseminação de serviços diagnósticos.

Segundo Adilson Hira, coordenador do projeto pela LSI-TEC – “Os sensores de IoT trazem um novo paradigma tecnológico para benefício do sistema de saúde, pois permitem que pacientes possam estar conectados, e seus sinais vitais monitorados a qualquer tempo e em qualquer lugar, em tempo real, através da Internet. Este acompanhamento possibilitaria a melhora dos serviços prestados pelas equipes e instituições de saúde na atenção do paciente, com a inclusão de novas estratégias, mais preventivas, voltadas ao diagnóstico e tratamento dos pacientes. O que melhoraria significativamente o acompanhamento das doenças de forma remota e interativa, reduzindo custos e ampliando a gestão dos pacientes. O uso de sensores IoT beneficiaria principalmente a atenção de pacientes de Doenças Crônicas.

O teste envolverá a comparação dos resultados da polissonografia tradicional com os do exame com aplicação da IoT realizados nos mesmos pacientes, de forma a avaliar a eficácia do novo sistema.

O método testado será menos invasivo e mais cômodo, já que poderá ser realizado na residência do paciente. Seu custo deve ser significativamente reduzido em comparação com o da polissonografia tradicional de noite inteira. A redução do custo do exame com a utilização de dispositivos IoT e a possibilidade de realização em domicílio poderão contribuir para a democratização do acesso ao diagnóstico de distúrbios do sono. Estima-se que 45% da população mundial sofram com distúrbios do sono, seja insônia, apneia ou ronco.

A solução ainda poderá gerar impactos positivos indiretos, como redução da incidência de doenças crônicas decorrentes da apneia obstrutiva do sono, como diabetes, hipertensão e depressão, melhora na qualidade de vida das pessoas e na produtividade do trabalho, além da diminuição do número de acidentes de trânsito. Ela também poderá contribuir para a economia dos custos do Sistema Único de Saúde já que ajudará a prevenir o desenvolvimento de diversas doenças crônicas. 

Divulgação – De forma a disseminar conhecimento sobre aplicação de IoT no campo da saúde, os resultados dos testes serão publicados no site de livre acesso, saudeiot.lsitec.org.br. Além disso, o LSI-TEC realizará um workshop para divulgação da experiência.

Para Marcelo Zuffo, professor titular da Poli-USP e Conselheiro Científico-Tecnológico dos pilotos, “O projeto de Saúde com IoT é extremamente desafiador. O projeto engloba aspectos do estado da arte em tecnologia IoT, no caso a inteligência artificial de borda, que pode gerar novas formas disruptivas de aplicações de diagnósticos médicos com impacto positivos no sistema de saúde”.

Internet das Coisas – O BNDES, em parceria com MCTIC, apoiou o estudo para diagnóstico e proposição de plano de ação estratégico em IoT para o país. O plano indicou quatro verticais que apresentaram maior impacto: cidades; saúde; rural e indústria.

O trabalho também indicou que os impactos do desenvolvimento de aplicações de IoT no Brasil, considerando os quatro ambientes, podem chegar a US$ 132 bilhões (US$ 27 bi para cidades; US$ 39 bi para saúde; US$ 21 bi para rural e US$ 45 bi para indústria). A partir desse estudo, o BNDES realizou chamadas para seleção de projetos-piloto de Internet das Coisas.

Testes das soluções – o projeto já está em andamento com o desenvolvimento do  dispositivo de Sensores de Frequência Cardíaca e Saturação de Oxigênio – Oxímetro. O dispositivo foi desenvolvido utilizando a placa Pulga da plataforma Caninos Loucos, e partir de algoritmos matemáticos, e pode medir o percentual de oxigenação do sangue e a frequência cardíaca. O dispositivo será impresso em 3D e fixado com velcro no dedo do usuário. 

Mais informações:
Wesite: saudeiot.lsitec.org.br
Elena Saggio – Comunicação LSI-TEC
elena.saggio@lsitec.org.br
11 98111.4487